sábado, 13 de maio de 2017

Há dias que sinto meu corpo e minha alma...

"...cansada.
Logo então... sinto uma leve suave brisa tocar-me o rosto.
Penso ser Deus, me alimentando a alma e me trazendo calma..."
 
Camila Senna

sábado, 6 de maio de 2017

...Eu sou lúcido na minha loucura,...

 
“...permanente na minha inconstância, inquieto na minha comodidade... Amo mais do que posso e, por medo, sempre menos do que sou capaz... Quando me entrego, me atiro e quando recuo não volto mais.”
 
Martha Medeiros

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Morreu...

Há poucos meses atrás correu o rumor que eu havia morrido, porquê?, não soube até à pouco, só sei agora que foi pena não ter sido verdade.
 
Álvaro Gonçalves Correia de Lemos

sábado, 28 de janeiro de 2017

Eu preciso de estar enamorado...

A coisa mais louca que
Eu fiz,
Foi pensar que existiria
Alguém neste mundo louco,
Que existiria alguém para mim.
Eu que tenho a necessidade
De estar apaixonado,
Mas nada justifica a minha
Perda nesta vida,
Eu sei que preciso estar
Enamorado.
Eu sei que peço perfeição,
Perfeição...,
Algo que nem eu nem eu tenho,
Sou louco por pedir algo que nunca terei,
Louco por pensar que alguma vez
Encontrarei...
Esta tem sido a minha maior loucura,
O meu maior erro,
A minha loucura,
Eu tenho essa necessidade
De estar apaixonado,
De estar enamorado,
Mas sou louco por pensar que
Alguma vez isso acontecerá.
Quantas vezes fiquei acordado até tarde,
Quantas vezes não dormi,
Tudo por uma loucura.
Sei agora,
Que perdi meu tempo.
Mas que posso eu fazer?
Se meu coração,
Continua pensando da mesma
Forma errada.
Tudo porque preciso continuar
A acreditar que existe
Alguém neste mundo de loucos,
Alguém para mim.
Mas nada vem de graça,
O preço tem sido demasiado alto,
Eu sei que peço algo,
Algo que não encontrarei ninguém.
Um bolso cheio de boas intenções
E de ilusões.
Uma alma sedenta de amor,
Um coração perdido.
Eu sei que preciso estar
Apaixonado sempre,
Louco que eu sou,
Por pensar que será isso
Acontecerá.
 
Álvaro Gonçalves Correia de Lemos

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Não sei ser contido,

"...discreto.
Brigo em voz alta, rio em voz alta, sinto em voz alta.
Sou feito de barulho e de verdade.
Murmúrio não faz parte de mim e quem não gostar, que tape os ouvidos."

Renata Fagundes
 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Ele não passa de...


...um velho, careca e sabe-se lá mais o quê..., por detrás daquela máscara que ele se veste diariamente, encontra-se um ser que nunca soube viver sem ser com o coração.
Ele escuta música, vê vídeos de filmes românticos, tipo My Best Friends Wedding, última cena entre Julia Roberts e Rupert Everet, ele não sabe viver (talvez nunca tenha sabido mesmo), cuida de uma mãe doente, deixa que a sua irmã, seu cunhado e outros que tal o culpem de tudo, inclusive de ter inventado que a mãe sofre de uma doença grave e degenerativa, mesmo tendo todos os relatórios médicos de sua mãe comprovando que a senhora tem essa maldita doença.
Ele deixa-se pisar pelos outros, tem medo de perder o emprego, pois na atualidade todo o cuidado é pouco (embora em tempos idos e já quase esquecidos, ele soube aventurar-se e talvez viver, ou não????), perdeu aquela força que em tempos teve, ele não vive mais, ele sobrevive para..., para quê?, nem ele sabe.
Sabe que se encontra com uma profunda depressão, quer física, quer psicológica, sente que o seu fim está próximo, e vive esperando “um milagre” de um dia voltar à vida, encontrar um amor verdadeiro, de ser feliz, mas no fundo sabe que seu tempo se está a acabar e que nada disso se vai tornar realidade, mas finge para si mesmo que sim, afinal, ele nada mais tem do que se agarrar a sonhos impossíveis de se realizarem.
Ele já não sabe quem é sequer e porque está ainda vivo, mas...pensando melhor, será que ele alguma vez ele soube alguma coisa?
Ele parou no tempo... ou será que ele alguma vez viveu... e em que tempo?
Resumindo: ele não passa de uma farsa de si mesmo.
 

Álvaro Gonçalves Correia de Lemos

 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Não sei o que se passa ao certo, só sei que algo se passa...

Dentro de mim jorra uma profunda agonia, uma tristeza sem fim,
E ao mesmo tempo uma vontade enorme de ser feliz,
São sentimentos contraditórios estes os meus.
Sinto-me quase sem vida, mas em mim ainda jorra uma esperança de paz, de amor, de vida.
Porquê estes sentimentos tão antagónicos, e como podem eles viver, habitar ao mesmo tempo o mesmo ser - eu?
Que fiz eu para viver esta tortura tão horrível, será que durante meu caminhar virei e continuei virando para o lado errado?
Será que tentar cuidar de seres que de mim precisam e que mais ninguém têm, me faz assim ficar?
Será que me esqueci de mim?
Talvez, mas onde estou eu no meio a este emaranhado?
O ar falta-me, as agonias aumentam, o coração acelera mas descompassado, a mente diz uma coisa, mas outra metade de mim fala outra, estarei eu enlouquecendo?
A morte já a desejei tantas vezes, que perdi a conta, mas acho que nem depois de morrer este coração ou mente irão parar, tudo porque estou ainda muito apegado à vida com esperança e por vezes sem ela.
Já vivi tanto, mas perdido fiquei por essa vida, cometi erros, muitos mesmo, mas não me arrependo, paguei por eles e sigo pagando por cada um, se me perguntarem o que mudaria na minha vida, não, não mudaria nada, fiz tudo da minha maneira, da forma que sabia e sigo fazendo o mesmo, seja bom ou mal, mas quem pode dizer que esta é a pior maneira e aquela a melhor?, se não viveu e não calçou meus sapatos?
Por vezes acho engraçado, por outras de péssimo gosto me dizerem, tem paciência Álvaro, quando não calçaram os meus sapatos, não sabem os trambolhões que dei para aqui chegar, ou as gargalhadas que dei, as quedas e as vezes sem conta que me levantei, mas têm a a lata de me dizer tens de ter paciência meu amigo, ora essa e eu?, onde fico eu?, onde estou eu?, que quase aos 50 anos deixei tudo, perdendo a vida ou não, tomei essa opção, sim foi tomada por mim, mas não venham com: tem paciência amigo. Estou cansado de ter paciência de viver em função da vida dos outros, já nem sei mesmo o que é viver e muito menos amar, vivo feito um robô mecanizado fazendo de tudo e mesmo assim, nada chega para ninguém, por vezes sinto-me o último lixo num grande contentor.
Choro, e torno a chorar, e quantas vezes ás escondidas porque quem de mim precisa não precisa de mais tristezas, até de meus amigos omito um montão de coisas, não quero que tenham pena de mim, não sou ave para ter penas, sou um ser humano meio simples meio complicado, coberto de amarguras, tanta coisa omiti eu ao longo destes anos para que ninguém se preocupasse comigo, pois já tinham tanto em que pensar, hoje, meu ser não suporta nem mais um pouco de nada, talvez amanhã, ou depois de amanhã, sim, quem sabe amanhã ou depois de amanhã.
Detesto falar de mim, mas quando encontro outra forma de falar eu escrevo, é uma forma de falar à qual me habituei, sendo de poucas palavras e meus olhos dizendo demais, oculto-os com os mais diversos óculos escuros mesmo quando chove, porque me denunciam, e não gosto de ser traído pelo meu próprio ser, por isso escrevo quando a vontade é grande, quando não suporto nem mais um milímetro de tanta coisa.
Enfim, não sei se isto é viver, já nada sei de nada… apenas sigo... até cair um dia.
 
Alvaro Gonçalves

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Controlar a Timidez

Nunca consegui controlar a timidez. Quando tive que enfrentar em carne viva a incumbência que nos deixou o pai errante, aprendi que a timidez é um fantasma invencível. De cada vez que tinha que solicitar um crédito, mesmo dos combinados de antemão em lojas de amigos, demorava horas em redor da casa, reprimindo a vontade de chorar e as contracções da barriga, até que me atrevia por fim, com as mandíbulas tão apertadas que não me saía a voz. Havia sempre algum comerciante sem coração para me atrapalhar ainda mais: «Miúdo parvo, não se pode falar com a boca fechada.» Mais de uma vez regressei a casa com as mãos vazias e uma desculpa inventada por mim. Mas nunca mais tornei a ser tão desgraçado como da primeira vez que quis falar pelo telefone na loja da esquina. O dono ajudou-me com a operadora, pois ainda não existia o serviço automático. Senti o sopro da morte quando me deu o auscultador. Esperava uma voz serviçal e o que ouvi foi o latido de alguém que falava no escuro ao mesmo tempo que eu. Pensei que o meu interlocutor também não me ouvia e levantei a voz tanto quanto pude. O outro, enfurecido, também elevou a sua voz: 

- E tu, porque carago me gritas!

Desliguei, aterrado. Devo admitir que, apesar da minha febre de comunicação, tenho ainda que reprimir o pavor do telefone e do avião e não sei se me vem desses dias. Como podia conseguir fazer qualquer coisa? Por sorte, a minha mãe repetia com frequência a resposta: «É preciso sofrer para servir.»

Gabriel García Marquez, in 'Viver para Contá-la' 

domingo, 4 de setembro de 2016

"Pardonnez-moi, la vie m'est insupportable"

A cada dia que passa, mais eu sei e compreendo a última nota da cantora Dalida, pois é cada vez mais o que eu sinto.
"Pardonnez-moi, la vie m'est insupportable" (Me perdoem, a vida se tornou insuportável para mim).

Alvaro Gonçalves

domingo, 31 de julho de 2016

Saudades de mim (2)


Saudades do Sol,
Saudades da vida,
Saudades do Luar,
Sim, saudades de quando
a criança que em mim vivia
se sentia criança,
Saudades de sorrir,
Saudades de viver,
Saudades de mim,
perdido algures no tempo.
Saudades de ser criança,
Saudades de te ver,
Saudades de te sentir,
Saudades de brincar descalço
na terra que me viu nascer e
que eu pensei que um dia
me receberia em seu regaço
para o sono eterno.
Saudades de ser quem um dia fui,
Saudades da inocência perdida,
Saudades de ser amado,
Saudades de sentir o amor,
Saudades...
Perdeu-se em mim o
único ser que tinha
interessa nesta vida e
temo que não voltará mais.
Sim, sinto loucamente saudades
de mim, perdi-me... e não me
encontro e temo não voltar
a reencontrar-me antes de partir.
Saudades de mim...
Álvaro Gonçalves

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