domingo, 6 de maio de 2018

Mãe, Eu Estou tão Cansado (Dia da Mãe)

Mãe, eu estou tão cansado e sinto nos ossos
o chamamento da água, o chamamento sibilino
que se confunde com o ranger das portas das casas
onde jamais voltarei: venha veloz o sono capaz
de me resgatar e que dentro dele se perfilem
as sombras e os gestos, exército dos meus medos
mais secretos, temores enrodilhados na roupa húmida
das camas. Mãe, a luz não se demora no meu quarto,
morre nas corolas das flores que trouxeste
para o riso não murchar, e eu fico doente só de olhar
os muros onde a hera é espiral de espanto, raiz
de uma enfermidade latente. Não voltarei
às actas do desespero, que são sombrias e magras
como os corpos dos amantes que definham sobre a areia
na fúria da maré, com uma gramática de murmúrios
escondida na solidão branca das dunas, mãe.
José Jorge Letria, in "Actas da Desordem do Dia"
 
 
Mãe meu eterno anjo criado e abençoado por Deus quando nasci o Dia da Mãe era a 8 de dezembro, mas na mesma hoje também é teu dia, e tal como me ensinaste, mãe é todos os dias, e sim, mais certo que isso impossível, dia da mãe é todos os dias, mas a 8 de dezembro foi o dia em que tu me batizaste dia que comemoro sempre não pelo batismo mas por ser teu dia, dia de Nossa Senhora da Conceição, e teu nome é Maria Augusta da Conceição Gonçalves, nome que todas as mulheres da tua linda e maravilhosa família têm, mas o que é um nome?, um nome sem o ser que o tem, e tu, és Augusta - senhora, Maria - como a Virgem Maria e Conceição por Nossa Senhora da Conceição, mas acima de tudo tu és e serás sempre aquela que Deus em Toda a Sua Sabedoria fez de ti minha mãe, meu anjo, amo-te e amar-te-ei hoje e sempre.
 
 
Álvaro Gonçalves Correia de Lemos aka Álvaro Gonçalves
 

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Quando Eu For Pequeno (mãe, está fazendo 3 meses que Deus te levou para junto Dele)

 
Quando eu for pequeno, mãe,
quero ouvir de novo a tua voz
na campânula de som dos meus dias
inquietos, apressados, fustigados pelo medo.
Subirás comigo as ruas íngremes
com a certeza dócil de que só o empedrado
e o cansaço da subida
me entregarão ao sossego do sono.
Quando eu for pequeno, mãe,
os teus olhos voltarão a ver
nem que seja o fio do destino
desenhado por uma estrela cadente
no cetim azul das tardes
sobre a baía dos veleiros imaginados.
Quando eu for pequeno, mãe,
nenhum de nós falará da morte,
a não ser para confirmarmos
que ela só vem quando a chamamos
e que os animais fazem um círculo
para sabermos de antemão que vai chegar.
Quando eu for pequeno, mãe,
trarei as papoilas e os búzios
para a tua mesa de tricotar encontros,
e então ficaremos debaixo de um alpendre
a ouvir uma banda a tocar
enquanto o pai ao longe nos acena,
lenço branco na mão com as iniciais bordadas,
anunciando que vai voltar porque eu sou
pequeno
e a orfandade até nos olhos deixa marcas.
 
José Jorge Letria, in "O Livro Branco da Melancolia"

(Mãe, está fazendo nestes instantes desta madrugada que junto a ti, te senti  e te vi parti em meus braços, sei que foi Deus que te chamou para junto Dele, mas a cada dia, a cada minuto, a cada momento, a cada virar de esquina, a cada vez que acordo depois de já ter conseguido dormir 2 a 3 horas em constantes pesadelos, é a ti que procuro, que Deus me perdoe, pois ELE está acima de tudo e de todos, mas também sei que ELE sabe e me compreende. AMO-TE e AMAR-TE-EI para sempre, e sei que muito brevemente estaremos todos juntos.
Louvado sejas TU meu Deus, meu PAI eterno.)

Álvaro Gonçalves Correia de Lemos Aka Álvaro Gonçalves

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Quando te afastas do mundo, de ti mesmo, todos te sabem julgar...

Quando te afastas do mundo, de ti mesmo, todos te sabem julgar, e todos têm palpites e dizeres na tua vida, mas é nestes momentos em que mais precisas de alguém que saiba estar a teu lado, amparar-te, mesmo que nada digam, um abraço vale mais que mil palavras. Mas neste mundo que eu vivo é mais fácil julgar e dar palpites do que podes e deves fazer mesmo que tu saibas que já não te restam forças.
Para os outros é sempre mais fácil julgar, não sabem nunca se colocar no lugar de quem julgam ou dão opiniões que te magoam o mais profundo do teu ser.


Álvaro Gonçalves Correia de Lemos Aka Álvaro Gonçalves
 

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Os anos passaram, mas aquele que conheceram, ainda vive cá dentro...

(Desliguem o player no final do blogue para escutar e prestar melhor atenção a este vídeo, que também podem encontrar no meu Youtube)
Os anos passaram, mas aquele que conheceram, ainda vive cá dentro e vai voltar de uma forma ou de outra.
 
Álvaro Gonçalves Correia de Lemos Aka Álvaro Gonçalves

terça-feira, 17 de abril de 2018

...50 anos...

(se quiser escutar a canção que diz muito do que sinto, desligue o player no fim do blogue)
 
Nasci num dia de sol, em Lourenço Marques (atual Maputo), em Moçambique, vivi meus primeiros 3 anos de vida dentro de uma felicidade enorme, um pai e uma mãe maravilhosos, eram o meu mundo, rodeado sempre de muito amor, carinho, desejo, ternura, saúde, felicidade, alegria, cedo e tal como era o meu amor pelo mar, meus pais me colocaram numa escola de natação e aos 3 anos já nadava como um "peixinho", como diziam não só meus pais, mas a professora de natação, que também afirmava que eu gostava mais de nadar de baixo d'água que ao de cima, que embora as técnicas de nadar de baixo d'água fossem de uma forma eu havia criado a minha própria forma de me manter debaixo d'água nadando sem mover os braços e pouco muito pouco as pernas, usando o corpo como um todo e me movimentando usando como um "peixinho" e assim foi e assim ficou sempre até aos dias de hoje, enfim, estórias que me contaram já depois de um pouco mais crescido, mas que a ver por aquilo que faço hoje, são verdade.
Cresci rodeado pelo mundo da música, da rádio, do teatro, do espectaculo, ou meus pais não trabalhassem os dois nesse meio, e tudo sempre começava em casa, num estudio construido de proprosito para juntar artistas, fazer gravações, preparações de textos e de som que só depois de aprovados por minha mãe, pois meu pai sempre dizia que a sua melhor critica em tudo era a sua mulher, a minha amada mãe. E assim era sempre.
Depois começaram os pequenos e primeiros problemas de saúde, aos 4 anos anos, na sala de aula ao percorrrer o caminho entre a minha mesa e a secretária da professora, escorreguei e segundo dizem bati fortemente com a cabeça numa quina de outra mesa e perdi os sentidos e assim fiquei por algum tempo até recuperar os sentidos, mas não me lembrava de nada, do que se havia passado, segundo os médicos seria devido à forte pancada na cabeça que eu havia perdido alguns minutos de memória que poderiam voltar ou não, mas nem tudo ficou por aí, tempos mais tarde fui acometido de fortes dores de cabeça que não passavam, fui levado várias vezes para o hospital, foram feitos vários exames, uns diziam uma coisa, outros outra, e claro, meus pais, não se ficaram por aí e decidiram viajar para África do Sul para novos exames, e foi aí que me dignosticaram disritmia cerebral e lapsos de memória possivelmente desenvolvidos e com pancada que havia dado na escola. fui medicado e seguido sempre por médicos mesmo quando regressei a Moçambique, e a vida foi continuando até aos 6 anos e alguns meses, quando a guerra estourou e tivemos de fugir, eu de nada me apercebi, tal fosse o amor e carinho de meus pais, que me disseram virmos passar férias a Lisboa com o resto da família que vivia toda, ou quase toda ali.
E assim foi, mas chegados a Lisboa e já meios instalados comecei a achar as coisas estranhas, faizia muitas perguntas, que sempre tentatavam amenizar com respostas para que eu não sofresse um choque forte, mas tal como minha mãe sempre dizia, "este quando mete uma coisa na cabeça, não há nada que a tire até sentir que sabe tudo bem" e assim foi, chegados ao mês de setembro, e em vez de passarmos os meus anos junto da família, meus pais resolveram aceitar a oferta de que um casal amigo lhes havia feito, e assim foi, fomos os 3 passar o mês de setembro para perto de Faro, e pronto..., foi aí, eu disse, logo, o que é que vocês me estão a esconder, que se passa?, porque não passo meus anos com as tias e primo?
Claro..., a verdade teve de vir toda ao de cima, e fui acometido de um forte ataque epilético, e me levaram de urgência para o hospital e depois para um outro em Lisboa, onde me fizeram um monte de exames, e desde aí... a vida pareceu cair mais e mais a cada ano que passava
Chegou o ano de 1975, e um dos meus maiores sonhos da vida se concretizava, nascia a irmã, que eu tanto, mas tanto havia pedido a Jesus e à minha mãe, lembro-me tão bem destas palavras de minha mãe "...mas Álvarinho e se for um menino?, ..." ao que eu prontamente respondia, "vou ama-lo muito mesmo, mas sei que vai ser menina", e assim foi nasceu uma menina, quando fui visitar no mesmo dia que ela havia nascido à noite, no quarto onde minha mãe estava havia um crucifixo com Jesus, e eu mal entrei olhei, vi o crucifixo e agradeci a Jesus, e só depois corri para a minha mãe e minha irmã...
De tudo fiz para a protejer, fosse do que fosse, os anos foram passando e ela era para mim, a minha joia preciosa junto com minha mãe, meu pai entretanto em 1979 separava-se de minha mãe, e foi um dos mais duros golpes da minha vida, minha saúde agravou bastante, mas nem por isso deixei de tudo fazer para proteger e ajudar no que pudesse a minha mãe e minha irmã...
Anos se passaram, e muita coisa aconteceu em minha vida privada e intima, não só a saúde piorava, mas outras coisas me aconteceram, coisas essas que escondi de tudo e de todos.
Aos 18 anos consegui, com a ajuda de minha mãe e de outras pessoas partir de novo para Lisboa, onde trabalhei e onde lutei muito para conseguir ser feliz, sem nunca deixar de continuar a visitar minha mãe e minha irmã, trazer prendas de todo o tipo, ou enviando de Lisboa para Ponta Delgada, mas os anos passaram e a alegria teve curta duração, tive de regressar, desempregado, tentanto não perder a esperança, e mantendo a cabeça erguida, mas nada nesta vida é assim tão facil, em especial para quem havia regressado a um lugar onde lhe haviam roubado toda a a sua inocência, e apesar de lutar para ninguém nunca saber, por dentro meu mundo se desmoronava...
Em 1996 minha irmã casava e anos mais tarde eu me tornava um tio babado, parecia que tudo estava bem, mas não, cá dentro, bem escondido, até de mim, um "vulcão de emoções" esperava por rebentar...
2003, 2004, 2005, 2006...,2013 morria meu pai, meu mundo se desmoronou, logo minha duas tias maternas, também partiam e pouco depois os médicos diagnostificavam a doença de Alzheimer em minha mãe.
Em 2017 meu tio materno partia também.
Meus problemas de saúde pioravam a cada mês, a cada ano, a cada momento e eu os ocultava, afinal, minha mãe vinha primeiro, ela era e é o anjo que Deus me deu para ser a minha mãe e eu só a tinha a ela, mais ninguém, nossa quantas vezes como cuidador de uma pessoa com esta doença eu quase enlouquecia...
A cada ano que passava meu estado de saúde piorava mais e mais, mas que podia eu fazer?, ajuda?, não tinha, amigos?, onde (tinha uma, que se tornou na irmã que eu tanto desejei).
Minha mãe, precisava cada vez mais e mais de mim...
Os últimos anos, da minha saúde, já quase nada restava, mas a força de cuidar do meu anjo me fazia querer viver, eram corridas para o hospital, eram noites sem dormir, era muito amor que nos unia há 50 anos...
Mas, mal sabia eu..., na noite de 25 para 26 de janeiro de 2018 perdia tudo...
Deus levou minha mãe para junto DELE.
Estou só... tenho sim, Deus, mas a tristeza, a agonia, a solidão, a falta de saúde... como refazer-me...?

Álvaro Gonçalves Correia de Lemos

domingo, 15 de abril de 2018

Saudades minha MÃE meu ANJO!!!

Porquê meu Deus?
Porque me levas-te o anjo que me deste?
Esta dor não passa, não sei viver sem ela, minha âncora, meu porto seguro, meu tudo, meu tudo que me deste.
AMO-TE Mãe!!!
Louvado sejas TU meu DEUS!!!


Álvaro Gonçalves Correia de Lemos

domingo, 8 de abril de 2018

segunda-feira, 26 de março de 2018

...2 meses...

Faz hoje 2 meses, mas para mim está tudo a acontecer de novo, a corrida para hospital, tu chamando-me e me dando a mão...tudo, cada minuto.
Porque Deus te chamou?
Porque perdi o único ser maravilhoso que sempre me amou e eu a ti?
Mãe vives em mim, peço a Deus que te guie e te guarde.
Amo-te e amar-te-ei sempre.
 
 
Álvaro Gonçalves Correia de Lemos

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Mãe, está fazendo precisamente agora um mês, um mês que Deus te chamou


Mãe, está fazendo precisamente agora um mês, um mês que Deus te chamou, estive contigo sempre, e tu sabes, acariciava-te, beijava-te, segurei tua mão, tentei sempre manter-te quentinha, aconcheguei-te sempre, pois parecia que não estavas nunca bem aconchegada, segurei tua cabecinha, tentei friccionar teu corpinho, pois sempre tens frio e a roupa era pouca, e a noite fria, falei-te sempre, disse-te tanta coisa meu anjo, mas principalmente o amor que sinto por ti, tu lembras, não lembras?
Dá-me um sinal, diz-me algo, preciso ouvir-te, pelo menos uma vez mais, mãe, eu amo-te, não sei o que faço, o que vou fazer, como estou, como ficar ou ir, mãe, diz-me qualquer coisa, dá-me um sinal que estás aqui, preciso tanto, mas tanto. As tuas coisas todas estão exatamente como as deixas-te, nada, mesmo nada foi mudado, a tua mala com o teu batom, aliás com teus batons, mas aquele que sempre gostaste a vida toda, o vermelho, está no mesmo sitio, na mala junto com o teu espelho, o outro na tua gavetinha no teu quarto, ahhhh achei a tua outra mala, lembras, andamos feito loucos à procura da outra mala, eu a achei, tem tudo lá, tudo que deixaste, tudo da mesma forma, mãe, minha querida, minha menina, sabes duma coisa? AMO-TE muitooooooooooooooo mesmo.
Diz-me qualquer coisa, peço-te, não suporto este vazio, este silêncio, esta dor, nunca falamos em nada, pois éramos "eternos", mas pensávamos, eu sei que sim, e nesses meus pensamentos eu iria contigo até ao fim do mundo, do universo, na mesma hora, nunca na vida pensei ficar para trás, sem ti, sem a tua presença física, teu calor, teus berros comigo, nossas desavenças, não mãe, nunca pensei que eu ficasse para trás, nesta solidão, neste mundo onde já não sirvo para nada, perdi tudo faz hoje um mês mãe, quando Deus te chamou, e agora meu anjo?, que faço eu aqui?, não tenho ninguém mais para cuidar, para amar e me amar como só tu sabias.
Sei, tenho alguns, muito poucos, mas muito bons amigos, e tu sabes que sim, que me amam e eu os amo muito, e sou-lhes eternamente grato pelo amor, carinho, amizade e tanta outra coisa que fizeram por nós, e agora por mim, mas mãe, de que serve eu estar aqui, sem o grande amor da minha vida, tu, meu anjo, minha mãe.
Perdoa-me, não te quero presa a este mundo cruel, quero que sigas o teu caminho, quero que estejas com teus pais, tuas irmãs, teu irmão e teu amigo, meu pai.
Se puderes, peço-te meu eterno anjo, fala comigo, dá-me um sinal, pelo menos que estás bem.
E seja como for, as tuas coisas vão ficar do mesmo jeito, aliás a casa toda vai continuar do teu jeito, caso cá venhas,.
E perdoa teu filho, perdoa-me mãe, mas dói muito.
Amo-te e amar-te-ei sempre.
 

Álvaro Gonçalves Correia de Lemos

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Minha Mãe que não Tenho

Minha mãe que não tenho meu lençol
de linho de carinho de distância
água memória viva do retrato
que às vezes mata a sede da infância.
Ai água que não bebo em vez do fel
que a pouco e pouco me atormenta a língua.
Ai fonte que eu não oiço ai mãe ai mel
da flor do corpo que me traz à míngua.
De que Egipto vieste? De que Ganges?
De qual pai tão distante me pariste
minha mãe minha dívida de sangue
minha razão de ser violento e triste.
Minha mãe que não tenho minha força
sumo da fúria que fechei por dentro
serás sibila virgem buda corça
ou apenas um mundo em que não entro?
Minha mãe que não tenho inventa-me primeiro:
constrói a casa a lenha e o jardim
e deixa que o teu fumo que o teu cheiro
te façam conceber dentro de mim.
Ary dos Santos, in 'Antologia Poética'
 
Fez hoje à poucos minutos que Deus te chamou mãe, meu eterno anjo, amei-te e amo-te tanto, mas tanto, tanto, como só Deus e tu sabiam e sabem, não sei viver sem ti, a tua presença física junto a mim, faz-me falta, sei que estás comigo sempre em espirito, mas a saudade de te dar um montão de beijinhos e abraços como tu tanto gostavas, mantem meu coração quebrado.
AMEI-TE, AMO-TE e AMAR-TE-EI PARA SEMPRE MÃE!!!
OBRIGADO DEUS POR ME TERES DADO O MAIS BELO ANJO PARA SER MINHA MÃE!!!
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