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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Natal é quando um homem quiser

Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento 
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento 
És meu irmão amigo 
És meu irmão 

E tu que dormes só no pesadelo do ciúme 
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume 
E sofres o Natal da solidão sem um queixume 
És meu irmão amigo 
És meu irmão 

Natal é em Dezembro 
Mas em Maio pode ser 
Natal é em Setembro 
É quando um homem quiser 
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer 
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher 

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar 
Tu que inventas bonecas e comboios de luar 
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar 
És meu irmão amigo 
És meu irmão 

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei 
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei 
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei 
És meu irmão amigo 
És meu irmão 

Natal é em Dezembro 
Mas em Maio pode ser 
Natal é em Setembro 
É quando um homem quiser 
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer 
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher.   


Ary dos Santos

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Eles...

...não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

António Gedeão

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O Dia da Inauguração do Mundo

O mundo estava pronto
ao findar do sexto dia.
Água e terra, lado a lado
na mais perfeita harmonia.
Então uma pedra falou
com sua voz um tanto aguda:
"eu gostaria de andar"!
E Deus fez a tartaruga.
E depois uma montanha
com sua voz trovejante
pediu para ser bicho,
e Deus criou o elefante.
E a lua que se reflectia
em águas claras, pacatas
disse que queria nadar
e se fez peixe de prata.
E quando a folhinha verde
expressou os sonhos seus
de saltitar entre os galhos
se tornou um louva-a-deus.
E as nuvens que cobriam
de branco o céu inteiro
resolveram se transformar
num rebanho de cordeiros.
E até a montanha de neve
quis viver e respirar.
Não tendo outra escolha
fez Deus o urso polar
E o sol, com pinta de rei,
quis também sua mutação:
por ter uma juba dourada
Deus fez do sol um leão.
E no seu galho uma flor
com vozinha de opereta
pediu que queria voar
E Deus fez a borboleta.
E a estrela brilhante
vendo a onda se elevar
pediu para descer às águas
e hoje é "estrela-do-mar".
E um anjo que estava perto
(até nem me lembro o nome)
gritou que queria ser Deus.
De castigo virou homem.


Luiz Coronel

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