Mostrar mensagens com a etiqueta Criança. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Criança. Mostrar todas as mensagens

domingo, 13 de agosto de 2017

Saudades de mim (2)

Saudades da vida,
Saudades do Luar,
Sim, saudades de quando
a criança que em mim vivia
se sentia criança,
Saudades de sorrir,
Saudades de viver,
Saudades de mim,
perdido algures no tempo.
Saudades de ser criança,
Saudades de te ver,
Saudades de te sentir,
Saudades de brincar descalço
na terra que me viu nascer e
que eu pensei que um dia
me receberia em seu regaço
para o sono eterno.
Saudades de ser quem um dia fui,
Saudades da inocência perdida,
Saudades de ser amado,
Saudades de sentir o amor,
Saudades...
Perdeu-se em mim o
único ser que tinha
interessa nesta vida e
temo que não voltará mais.
Sim, sinto loucamente saudades
de mim, perdi-me... e não me
encontro e temo não voltar
a reencontrar-me antes de partir.
Saudades de mim...


Alvaro Gonçalves Correia de Lemos


(reposição de um poema autobiográfico) 

sábado, 30 de março de 2013

Feliz Páscoa - O Menino Jesus

Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas pelas estradas
Que vão em ranchos pela estradas
com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou —
"Se é que ele as criou, do que duvido" —
"Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansados de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
e eu levo-o ao colo para casa.
.............................................................................
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

Alberto Caeiro. In O Guardador de Rebanhos
VIII - Num Meio-Dia de Fim de Primavera

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Eles...

...não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

António Gedeão

sábado, 22 de dezembro de 2012

Conversas directas, porem informais


Miradouro de Santa Iria
Oi…, nem sei por onde começar, tenho tanto para falar, tanto para dizer, e mais parece o contrário, por exemplo, por onde começo, pelo Natal (do que penso e sinto nesta altura do ano)?, por mim mesmo?, não sei, sinceramente não faço a menor ideia.
Por vezes fico pensando como cheguei aqui, e aqui significa aos 45 anos, qual foi este percurso que fiz, como foi que o fiz, se fiz o que queria, se faltou alguma coisa para fazer, se podia ter feito mais, ou menos, se devia ter falado mais sobre isto ou aquilo, ou menos, enfim, mas a verdade é que cheguei aqui, aos 45 anos de idade.
Outro dia pus-me à procura de uma foto em especial, era dia 8 de Dezembro e queria ver uma determinada foto, daquele dia, mas tirada à precisamente 45 anos, e lá encontrei, essa foto era e é uma recordação do dia em que fui baptizado, tinha cerca de 3 meses e estava ao colo da minha madrinha e ao lado dela estava a minha mãe além de mais alguns putos filhos da minha madrinha e outros que não sei quem seriam, e foi aí, nessa procura da foto que dei conta o quanto tempo passou, ou seja, já lá vão 45 anos, nossa…., tudo isso?, espero que mais venham, mas passou, e para onde foram, como foram passados, voaram?, foram vividos?, de que forma?
Estas perguntas por vezes saltam para a ribalta quando resolvo fazer um balanço da vida, balanço forçado, ou simplesmente para colocar as coisas nos seus devidos lugares novamente e seguir em frente, pois não sou nada de viver do passado (graças a Deus), passado é passado e quem vive de passado é museu, mas gosto de recordar de vez em quando algumas coisas vividas, é sempre bom saber que para trás ficou uma história que fui construindo conforme os anos foram passando, isso só quer dizer que não fiquei parado no tempo e no espaço, muito pelo contrário, talvez pudesse ter feito mais, mas concerteza ainda vou a tempo de faze-las, mesmo que para muitos possa parecer criancice algumas atitudes, algumas risadas, alguns disparates, alguns actos, mas a verdade é que se for bom para mim, se me fizer sentir bem, não me irei privar de as fazer, por isso fico feliz quando vejo que cheguei aos 45 anos e vivi, amei, chorei, desesperei, caí, levantei, dei graças e sigo em frente, pois a vida foi feita para ser vivida, amada, mesmo os menos bons momentos, pois é com eles que concerteza aprendemos, e quando não aprendemos, voltamos a cair para nos levantar-mos em seguida até aprendermos a lição e seguirmos para outras, por isso sim, estou feliz e satisfeito por aqui ter chegado mesmo sem dar pelo tempo passar, significa que não olhei o tempo, mas sim apreciei de alguma forma os momentos vividos até hoje.
Quanto à criança que fui, inocente, por vezes ingénua e cheia de sonhos, essa não “morreu”, apesar do tempo que foi passando e algumas cicatrizes que o tempo foi deixando, essa criança ainda vive em mim, e é ela que me faz continuar vivendo, amando, sonhando e querendo seguir em frente, é ela que me faz ver as belezas da vida quando o adulto em mim teima que o mundo é um lugar feio, é nessas alturas que a criança há em mim, saí mais cá para fora e me faz ver que as mais belas coisas da vida, não estão sempre nos maiores actos, mas sim, nas mais pequenas coisas que se deparam na minha vida do dia a dia. Tem dias que o adulto em mim quase ou mesmo desespera, mas sempre acaba sendo salvo pela criança que habita em mim e na fé que tenho em Deus que sempre me acompanha e por vezes é Ele que me carrega ao colo quando mais preciso.
Por tudo isso estou grato e assim continuarei a ser.
E quando me perguntam se tenho arrependimentos, sempre respondo que não, só se for por algo que ainda não tenha feito, mas ainda vou sempre a tempo de fazer, mesmo que possa ser algo que para os outros possa parecer uma loucura (por causa da idade), mas ser feliz não tem idade, por isso faço, vivo e amo, por isso estou aqui aos 45.
Quanto ao Natal, nossa, concerteza quem me conhece já sabe o que penso desta época, é uma época em que impera a hipocrisia, o cinismo, a falsa bondade, e não falo no consumismo desenfreado não, falo da forma como as pessoas vivem esta época, trocando valores de amizade, de sinceridade, de honestidade, por sentimentos de faz de conta, de bondades falsas, ora darei um exemplo simples, quando chega a esta época todos se lembram dos pobres, de quem menos tem, dando-lhes uma sopinha, um jantarzinho (claro que é bom fazer isso, e eles agradecem), mas e no resto do ano?, onde estão essas “boas e caridosas” pessoas?, eu digo-lhes, estão tripudiando, pisando, massacrando, chamando de vagabundos, que não querem é trabalhar, que não querem nada da vida, pois é, é aí que começa tudo, é aí que se revelam os verdadeiros sentimentos de seres “bondosos” da época natalícia, por isso não comemoro o Natal, esse Natal, comemoro o meu Natal, o Natal onde eu sei que sou sempre da mesma forma e da mesma maneira com tudo e todos 365 ou 366 dias do ano. Mas não quero prolongar-me muito com esta conversa sobre o que é esta época na realidade, acho que já é hora de cada um começar a ver com olhos de ver o que fazem e como se comportam todos uns com os outros nesses mesmos 300 e tal dias e fazer a comparação da falsa bondade a que tanto gostam de se associar.
Enfim, nada como ser-se verdadeiro, real, cru se assim querem chamar e dizer na cara de quem quer que seja o que pensa, mesmo que doa, mesmo que fira, eu por exemplo faço-o e recomendo sempre os meus verdadeiros amigos a serem comigo da mesma forma, prefiro que me doa na hora, a que eu venha a descobrir falsidades, prefiro sarar a ferida com a verdade e seguir em frente depois com um sorriso e por vezes com uma lágrima no canto do olho.
Mas não quero prolongar-me muito com mais esta conversa informal, pois nada mais chato do que escrever, ou ficar falando durante muito tempo, cansa muito, tanto para quem fala, mas principalmente para quem escuta.
Por isso, fico hoje por aqui.
Ahhhhhh, mas não posso deixar-me ser assim tão radical, por isso boas festas para todos na mesma, afinal ontem, hoje e amanhã serão sempre dias de Natal.
Beijinhos e xi – corações mil a todos que por aqui passam, deixando um pouco de si, levando um pouco de mim.


Álvaro Gonçalves

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Acredite em Si
Sonhe,
Sonhe sempre,
Mesmo quando a
vida não lhe sorri.
Nunca recue perante uma
Adversidade,
Não se entristeça
Apenas porque você não
Conseguiu o que deseja,
Ou algo o atormenta.
Sonhe, sorria, ame, seja grato.
Sei que é fácil dizer,
difícil de fazer.
Mas ACREDITE em si.
Sorria se caiu,
e levante-se com determinação
para enfrentar o mundo.
Viva enamorado pela vida.
Dê bom dia ao dia,
Sorria para ele,
Seja sempre positivo,
Lembre-se sempre que você
é parte integrante
deste maravilhoso Universo.
Diga para si mesmo:
Hoje é o primeiro dia da minha
VIDA.
E SORRIA.
Deixe a beleza que existe
à sua volta entrar em si.
Sinta-se confiante em si mesmo.
Tire um tempinho para si mesmo,
Brinque, deixe a criança que há em si viver.
Diga para si mesmo:
Estou em paz comigo mesmo
e com tudo, sinto o amor fluir
em minha vida.
ACREDITE sempre em si.
ACREDITE de que de tudo você
é capaz, você é um vencedor,
um guerreiro.
Porque VOCÊ ACREDITA em SI!!!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...