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sábado, 4 de agosto de 2018

Sou talvez a visão...

"Sou talvez a visão que alguém sonhou.
Alguém que veio ao mundo pra me ver e que nunca na vida me encontrou"

Florbela Espanca



terça-feira, 5 de agosto de 2014

Não gosto quando não prestam atenção...

“...no que digo. Acho que soa descaso. Também acho que é uma espécie de descaso saber que alguma coisa vai errada e fingir que tudo está perfeitamente em ordem. Costumo falar o que sinto. É claro que quando a gente fala acaba ouvindo. Mas as pessoas precisam se colocar nos dois lados da história. Atualmente, todo mundo só olha para si mesmo. Cadê o outro? Cadê?”

Clarissa Corrêa

sábado, 29 de março de 2014

Já não corro mais atrás...

“...de ninguém porque simplesmente entendi que não vale a pena. Seja uma amizade ou um amor, se a pessoa é digna de você ela nunca estará nem a frente e nem atrás, ela estará sempre do seu lado. Se você tem que correr atrás, então é porque a pessoa está fugindo de você. Sinceramente? Não vale a pena querer quem não nos quer! O mundo gira, tudo muda o tempo todo e tudo se renova, inclusive as pessoas de nossa vida. Apenas espere pelo melhor e saiba reconhecê-lo quando ele estiver do seu lado…”

Pedro Bial

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O Dia da Inauguração do Mundo

O mundo estava pronto
ao findar do sexto dia.
Água e terra, lado a lado
na mais perfeita harmonia.
Então uma pedra falou
com sua voz um tanto aguda:
"eu gostaria de andar"!
E Deus fez a tartaruga.
E depois uma montanha
com sua voz trovejante
pediu para ser bicho,
e Deus criou o elefante.
E a lua que se reflectia
em águas claras, pacatas
disse que queria nadar
e se fez peixe de prata.
E quando a folhinha verde
expressou os sonhos seus
de saltitar entre os galhos
se tornou um louva-a-deus.
E as nuvens que cobriam
de branco o céu inteiro
resolveram se transformar
num rebanho de cordeiros.
E até a montanha de neve
quis viver e respirar.
Não tendo outra escolha
fez Deus o urso polar
E o sol, com pinta de rei,
quis também sua mutação:
por ter uma juba dourada
Deus fez do sol um leão.
E no seu galho uma flor
com vozinha de opereta
pediu que queria voar
E Deus fez a borboleta.
E a estrela brilhante
vendo a onda se elevar
pediu para descer às águas
e hoje é "estrela-do-mar".
E um anjo que estava perto
(até nem me lembro o nome)
gritou que queria ser Deus.
De castigo virou homem.


Luiz Coronel

sábado, 22 de dezembro de 2012

Conversas directas, porem informais


Miradouro de Santa Iria
Oi…, nem sei por onde começar, tenho tanto para falar, tanto para dizer, e mais parece o contrário, por exemplo, por onde começo, pelo Natal (do que penso e sinto nesta altura do ano)?, por mim mesmo?, não sei, sinceramente não faço a menor ideia.
Por vezes fico pensando como cheguei aqui, e aqui significa aos 45 anos, qual foi este percurso que fiz, como foi que o fiz, se fiz o que queria, se faltou alguma coisa para fazer, se podia ter feito mais, ou menos, se devia ter falado mais sobre isto ou aquilo, ou menos, enfim, mas a verdade é que cheguei aqui, aos 45 anos de idade.
Outro dia pus-me à procura de uma foto em especial, era dia 8 de Dezembro e queria ver uma determinada foto, daquele dia, mas tirada à precisamente 45 anos, e lá encontrei, essa foto era e é uma recordação do dia em que fui baptizado, tinha cerca de 3 meses e estava ao colo da minha madrinha e ao lado dela estava a minha mãe além de mais alguns putos filhos da minha madrinha e outros que não sei quem seriam, e foi aí, nessa procura da foto que dei conta o quanto tempo passou, ou seja, já lá vão 45 anos, nossa…., tudo isso?, espero que mais venham, mas passou, e para onde foram, como foram passados, voaram?, foram vividos?, de que forma?
Estas perguntas por vezes saltam para a ribalta quando resolvo fazer um balanço da vida, balanço forçado, ou simplesmente para colocar as coisas nos seus devidos lugares novamente e seguir em frente, pois não sou nada de viver do passado (graças a Deus), passado é passado e quem vive de passado é museu, mas gosto de recordar de vez em quando algumas coisas vividas, é sempre bom saber que para trás ficou uma história que fui construindo conforme os anos foram passando, isso só quer dizer que não fiquei parado no tempo e no espaço, muito pelo contrário, talvez pudesse ter feito mais, mas concerteza ainda vou a tempo de faze-las, mesmo que para muitos possa parecer criancice algumas atitudes, algumas risadas, alguns disparates, alguns actos, mas a verdade é que se for bom para mim, se me fizer sentir bem, não me irei privar de as fazer, por isso fico feliz quando vejo que cheguei aos 45 anos e vivi, amei, chorei, desesperei, caí, levantei, dei graças e sigo em frente, pois a vida foi feita para ser vivida, amada, mesmo os menos bons momentos, pois é com eles que concerteza aprendemos, e quando não aprendemos, voltamos a cair para nos levantar-mos em seguida até aprendermos a lição e seguirmos para outras, por isso sim, estou feliz e satisfeito por aqui ter chegado mesmo sem dar pelo tempo passar, significa que não olhei o tempo, mas sim apreciei de alguma forma os momentos vividos até hoje.
Quanto à criança que fui, inocente, por vezes ingénua e cheia de sonhos, essa não “morreu”, apesar do tempo que foi passando e algumas cicatrizes que o tempo foi deixando, essa criança ainda vive em mim, e é ela que me faz continuar vivendo, amando, sonhando e querendo seguir em frente, é ela que me faz ver as belezas da vida quando o adulto em mim teima que o mundo é um lugar feio, é nessas alturas que a criança há em mim, saí mais cá para fora e me faz ver que as mais belas coisas da vida, não estão sempre nos maiores actos, mas sim, nas mais pequenas coisas que se deparam na minha vida do dia a dia. Tem dias que o adulto em mim quase ou mesmo desespera, mas sempre acaba sendo salvo pela criança que habita em mim e na fé que tenho em Deus que sempre me acompanha e por vezes é Ele que me carrega ao colo quando mais preciso.
Por tudo isso estou grato e assim continuarei a ser.
E quando me perguntam se tenho arrependimentos, sempre respondo que não, só se for por algo que ainda não tenha feito, mas ainda vou sempre a tempo de fazer, mesmo que possa ser algo que para os outros possa parecer uma loucura (por causa da idade), mas ser feliz não tem idade, por isso faço, vivo e amo, por isso estou aqui aos 45.
Quanto ao Natal, nossa, concerteza quem me conhece já sabe o que penso desta época, é uma época em que impera a hipocrisia, o cinismo, a falsa bondade, e não falo no consumismo desenfreado não, falo da forma como as pessoas vivem esta época, trocando valores de amizade, de sinceridade, de honestidade, por sentimentos de faz de conta, de bondades falsas, ora darei um exemplo simples, quando chega a esta época todos se lembram dos pobres, de quem menos tem, dando-lhes uma sopinha, um jantarzinho (claro que é bom fazer isso, e eles agradecem), mas e no resto do ano?, onde estão essas “boas e caridosas” pessoas?, eu digo-lhes, estão tripudiando, pisando, massacrando, chamando de vagabundos, que não querem é trabalhar, que não querem nada da vida, pois é, é aí que começa tudo, é aí que se revelam os verdadeiros sentimentos de seres “bondosos” da época natalícia, por isso não comemoro o Natal, esse Natal, comemoro o meu Natal, o Natal onde eu sei que sou sempre da mesma forma e da mesma maneira com tudo e todos 365 ou 366 dias do ano. Mas não quero prolongar-me muito com esta conversa sobre o que é esta época na realidade, acho que já é hora de cada um começar a ver com olhos de ver o que fazem e como se comportam todos uns com os outros nesses mesmos 300 e tal dias e fazer a comparação da falsa bondade a que tanto gostam de se associar.
Enfim, nada como ser-se verdadeiro, real, cru se assim querem chamar e dizer na cara de quem quer que seja o que pensa, mesmo que doa, mesmo que fira, eu por exemplo faço-o e recomendo sempre os meus verdadeiros amigos a serem comigo da mesma forma, prefiro que me doa na hora, a que eu venha a descobrir falsidades, prefiro sarar a ferida com a verdade e seguir em frente depois com um sorriso e por vezes com uma lágrima no canto do olho.
Mas não quero prolongar-me muito com mais esta conversa informal, pois nada mais chato do que escrever, ou ficar falando durante muito tempo, cansa muito, tanto para quem fala, mas principalmente para quem escuta.
Por isso, fico hoje por aqui.
Ahhhhhh, mas não posso deixar-me ser assim tão radical, por isso boas festas para todos na mesma, afinal ontem, hoje e amanhã serão sempre dias de Natal.
Beijinhos e xi – corações mil a todos que por aqui passam, deixando um pouco de si, levando um pouco de mim.


Álvaro Gonçalves

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Páscoa, tempo de renascer…

Uma vez mais chegámos á Páscoa, aquela altura em que todos falamos de mudança, de renascer, de libertação, fraternidade, de esperança, de recomeço quais Fénixes renascidas das cinzas.
No entanto vivemos alturas de grandes conturbações, de grandes mudanças, mudanças quase radicais, de miséria, não só em forma de falta de dinheiro e desemprego, mas principalmente de falta de humanidade uns para com os outros, de grande libertinagem, de rezas e romarias que de nada servem senão para fachadas de hipocrisia e cinismo, de idas a missas “batendo no peito” e saindo das mesmas ou até mesmo durante as mesmas falar de beltrano e sicrano, entre burburinhos fazendo rezas das mesmices e coscuvilhices sobre a vida alheia
Mas calma, não se abespinhe já, você que me está lendo, não se sinta ferido, nem se sinta mal por algo tão simples quanto verdadeiro, como tudo que estou falando. E sim, não sou dono da verdade, longe disso, sou apenas um mero ser humano, com tantos defeitos que nem saberia por onde começar se os tivesse de enumerar todos aqui, mas também algumas virtudes, e isto há que saber reconhecer, mesmo que poucas, sei que as tenho, mas afinal sou humano (uma desculpa meio que esfarrapada, mas uma desculpa), no entanto também sou um bom observador como tantos o serão, e diria mais, um realista, pois como tantos outros seres lido diariamente com situações de grande penúria e miséria. Não, não sou perfeito, já mais do que uma vez o disse aqui neste meu perfil, no entanto não consigo calar, não sou de calar, não em momentos que sinto que devo falar, afinal é falando que a gente se entende, muito embora cada vez menos, senão vejamos, quantas e quantas vezes falamos sobre verdades como estas que acabo de falar e logo em seguida, ou na mesma hora estamos fazendo algo que vai contra tudo aquilo que acabámos de falar?
Nossa…, já perderam a conta?, não foi?, eu também, pois é. Todos nós já passamos por todos estes momentos de falar e não fazer o que falámos, dizendo mesmo, faz o que eu digo e não o que faço, já dizia Frei Tomás, no entanto todos assim continuamos vivendo e fazendo o mesmo, até ao dia em que nos acontece a nós, que bate à porta esse “algo” que fizemos aos outros (afinal, não nos esqueçamos, tudo tem retorno, é a lei, a lei do retorno, o que semeias hoje, colherás amanhã), e não falo biblicamente, falo como conhecedor do mesmo. Quantas e quantas vezes essa mesma lei do retorno me fez estragos na vida?, nem sei, perdi a conta, e a você, quantas vezes?, também perdeu a conta?, não foi?, no entanto vivemos fazendo o mesmo como que numa roda viva sem emenda, e depois damos desculpas esfarrapadas e coitadinhos de nós que nada fizemos, pois….., já nem lembramos o que fizemos, mas a verdade é que fizemos senão não estaríamos pagando a “factura” e por vezes uma “factura bem alta”, e aí pagamos, mas lá está, será que nos emendamos?, não, voltamos senão a fazer o mesmo, será algo parecido e aí lá vem a “factura”, e reclamamos. Enfim e assim sucessivamente vamos vivendo ou sobrevivendo nesta vida que nos foi dada de graça e que tanto cobramos, até a quem nos deu essa vida.
Pedimos amor, pedimos saúde, pedimos fraternidade, amizade, felicidade, até dinheiro, pedimos e voltamos a pedir, e quanto damos?, sim, quanto damos aos outros?, isto já para não falar de no mínimo lembramo-nos Daquele que nunca nos abandona, que tantas e tantas vezes nos carrega ao colo durante nossas provações.
Agora chegada a Páscoa, voltamos à carga, após a outra altura de grande hipocrisia, de grande cinismo, o Natal em que também nos enchemos de ar e pompa para “rezar”, ir a missas e tantas outras coisas a que nos negamos fazer no resto do ano.
Deixemo-nos de tretas, deixemo-nos de conversas fiadas, deixemo-nos de piadas, sim, piadas, porque senão são piadas (de mau gosto), então o que são?, eu dizer-vos-ia, mas não quero ser mal educado, não aqui, acho que não o devo, não porque você pode pensar mal de mim, pois isso a mim pouco ou nada me importa, eu sei o que sou, mas porque há uma altura e um lugar para tudo.
Não me quero alongar muito mais, mas não posso deixar de falar uma coisinha mais, algo que vive como que “entalado” nas minhas goelas e cada vez mais me faz entupir a respiração.
Ora vejamos, o ser humano, o quanto ele despreza o seu próprio mundo, não falo dos seus semelhantes, mas do Mundo = Planeta Terra. Este, foi-nos emprestado para vivermos, e quando cá chegamos (nós seres humanos), ele estava impecável, simples, lindo, com todo o seu esplendor, o ar era puro, o verde cobria uma grande parcela do mesmo, outro tanto era coberto por água límpida, planícies lindas de perder a vista com belos e saudáveis animais (supostamente irracionais), e tanto mais ele Planeta Terra nos ofereceu para podermos viver as nossas vidinhas saudavelmente, ofereceu-nos comida, emprestou-nos terra para plantarmos, água para beber e regar os plantios, ofereceu-nos mares de perder “respiração” de tão belos que são, ou eram, e tantas, mas tantas outras coisas ele Planeta Terra nos ofereceu, sem pedir nada em troca, sem nos cobrar absolutamente nada. E nós? Sim, e nós o que fizemos até hoje?
A única coisa que ele, Mundo nos “pediu”, foi que ao deixarmos nossas formas físicas o deixássemos tal e qual ele nos contemplou, para que outras e outras gerações que cá chegassem o encontrassem da mesma forma para poderem também eles usufruírem das mesmas coisas que nós durante as suas vidas. Mas não, nós, os supostamente animais racionais fizemos o quê?, crescemos sim, evoluímos sim, mas a que preço?
Cobrámos, roubámos, poluímos, mal tratamos de várias formas o Planeta e suas belas criaturas ás quais temos o desplante de chamarmos de animais irracionais., serão mesmo eles animais irracionais, ou nós?, que nos julgamos donos de um Mundo, que até já queremos mais ao procuramos outro planeta igual a este como quando o encontrámos, tudo porque dizemos que ele nos mal trata agora, como que numa revolta a Mãe Natureza nos tira algumas vidas para que ela se equilibre diante de tantos e tantos maus tratos.
Pois é, este é o custo que o ser humano tem de pagar pelas suas atitudes de animal irracional.
Agora comparemos um pouco o que nós humanos fazemos ao planeta, ao que fazemos aos nossos semelhantes, não é o mesmo?, claro que sim, sem sombra de duvida, pena é que tenhamos memórias curtas, ou não, e gostemos de nos armar em cínicos e hipócritas e nestas alturas do ano, brincamos um pouco com ao sermos todos tão bonzinhos.
Claro, claro que há excepções, há sempre excepções à regra, graças a Deus, alguns têm ainda consciência de que praticando o bem, nem que seja um pouco o ano inteiro, é sempre o melhor.
Por isso, vamos todos tentar, não somente agora, mas o ano inteiro, dar uma chance de nos melhorarmos, de dizer sim à vida e ao amor, sejamos mais felizes hoje que ontem porque nos conhecemos um pouco melhor.
Difícil?, sim, acredito que será, pois temos o mal muito enraizado, mas tentemos, melhorar um pouco, tenhamos a coragem de renascer.
Uma feliz Páscoa, uma feliz vida.
Um beijo e um xi – coração a todos vós que por aqui passam, que deixam um pouco de vós e levam um pouco de mim.


Álvaro Gonçalves

quinta-feira, 2 de abril de 2009

TENTEMOS MUDAR UM POUCO…
Chegámos mais uma vez a uma daquelas alturas do ano em que se vê o mundo ficar todo tão bonzinho, todos são lindos e amáveis, todos são caridosos, é também a altura em que se vê romarias e rezas, todos “vão ás suas missas” “batem no peito” e finalmente acaba e tudo fica exactamente como estava antes, todos falam mal uns dos outros, a libertinagem reina, a guerra prolifera, a fome aumenta, o desemprego é cada vez maior, os ricos cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais pobres, os remediados ou classe média cai a pique, a exploração de seres humanos aumenta, desgasta-se cada vez mais o planeta, gasta-se cada vez mais agua desnecessariamente esquecendo-nos que este é o maior bem que o ser humano tem e precisa e que está rareando cada vez mais, destrói-se florestas, o pulmão do planeta vai desaparecendo e tudo isto para quê?, para uns enriquecerem cada vez mais e outros se tornarem escravizados desses ricos que se esquecem que vão acabar todos da mesma forma, por muito que possam ter, todos acabamos da mesmíssima forma, ou seja pó.
Claro no meio disto tudo à sempre excepções à regra, mas mesmo esses são tão poucos que por muito que façam nunca será o suficiente, mas o meu agradecimento a esses e meus amigos força, continuem, pois mesmo que sejam poucos, sempre são alguns e quem sabe se os outros não lhes seguem o exemplo.
Não sou santo nem estudo para isso, longe de mim ser santo, tem vezes mesmo que afirmo que ser santo deve ser muito chato, afinal ser santo é um trabalho chato e muito aborrecido, pois sempre estamos ouvindo alguém pedir isto e mais aquilo e não se chega para as encomendas, além do mais no Céu não há quase ninguém, é tudo muito calmo (eu sempre imagino o céu como alguém tocando harpa e outros escutando, não que não goste de harpa, mas tudo que é demais também aborrece, não acham?) e eu gosto de um pouco de agitação, um pouco de salero por isso chego mesmo a dizer que não vou para o céu e sim para o inferno onde está quentinho e onde todo o mundo vive à grande e à “francesa”. Isto tudo porque gosto de brincar, pois céu e inferno só existem na mente de cada um e mesmo assim são coisas que a existirem existem e são mesmo aqui na terra, afinal somos nós quem construímos o bom e o mau, temos esse livre arbítrio.
O que quero dizer é que BASTA, CHEGA de sermos todos uns “santinhos de pau oco” e andarmos em rezas e romarias e depois fazermos exactamente o que não gostaríamos que nos fizessem a nós, sim porque quando a dor, o sofrimento bate à nossa porta aí sim, nos lembramos de como não é bom sentir tais coisas, mas aí já pode ser tarde, pois quando o mal chegar, ele chega para todos, pena é que não esteja como espada sobre as nossas cabeças nos lembrando apenas que ou te portas como deve ser ou a espada vai cair, e tua cabeça vai rolar, sim porque já chegámos ao ponto de só nos lembramos que não gostamos de algo quando ela paira sobre nossas cabeças feito abutre à espera de carne putrefacta, será que vai ser preciso o mundo ficar pior para nos lembrarmos que tudo o que existe não é nosso, foi-nos dado, não comprámos, o planeta não nos vendeu oxigénio, nem agua, nem comida, mas claro, temos de trabalhar para conseguir obter essas coisas, pois nada como sermos um pouco úteis uns aos outros, temos de fazer algo para dar de volta ao planeta tudo aquilo que ele nos dá, temos de ajudar o outro, o nosso vizinho se queremos ser ajudados um dia, temos de nos lembrar que um dia podemos ser nós a precisar e nessa altura pode já não haver ninguém para ajudar.
Não sou pessimista, já fui, sou realista e muito mesmo, não sou de falinhas mansas, sou do tipo que quando tem algo para dizer, digo e não deixo que os outros o digam por mim, sou do tipo que se for para calar calo, mas se é para falar, ou fazer algo, faço, não vou em cantigas, já fui, por vezes sim, é verdade encosto-me um pouco, mas a minha consciência é feita da mesma matéria da do cérebro de uma galinha, então logo ela vai doer, e quando dói, dói mesmo a valer, por isso se me encosto por algum tempo acabo ficando doente comigo mesmo e acabo por me mexer, por fazer algo para que não volte a encostar-me à sombra da bananeira à espera que as coisas aconteçam ou apareçam feitas. Por isso se alguém se sentiu “magoado”, ofendido, triste ou estranhou mais uma vez a minha sinceridade e frontalidade, lamento, talvez seja porque nunca ninguém teve a coragem de dizer na cara o que realmente acontece nos dias de hoje, e porque também você está cego e não vê o que o rodeia.
Por isso a minha proposta a todos que por aqui passam e se dão ao trabalho de me ler, é que não sejamos bonzinhos nestas alturas, pois o espírito da Páscoa, tal como o de Natal deve ser todos os dias e não um dia, ou dois no ano.
Tentemos mudar um pouco, tentemos partilhar com os outros o pouco ou o muito que temos, ajudemos os outros, sejamos solidários o ano todo, sejamos renascimento e recomeço todos os dias, sejamos fraternos, sejamos esperança para quem de nós precisa e até mesmo para connosco.
Vamos dar uma chance de nos melhorarmos, de dizer sim à vida e ao amor, sejamos mais felizes hoje que ontem porque nos conhecemos um pouco melhor.
Tudo isto é fácil dizer, fácil de escrever, por vezes difícil de fazer, mas é aí que reside o nosso grande desafio, a nossa grande alegria de sermos diferentes daquilo que somos actualmente.
Um beijo cheio de amor e muito carinho em vossos corações.


Álvaro Gonçalves
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