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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Sou entre flor e nuvem

Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar.
Por que havemos de ser unicamente humanos,
limitados em chorar?
 
Não encontro caminhos
fáceis de andar.
Meu rosto vário desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar.
 
E por isso levito.
É bom deixar
um pouco de ternura e encanto indiferente
de herança, em cada lugar.
 
Rastro de flor e de estrela,
nuvem e mar.
Meu destino é mais longe e meu passo mais rápido:
a sombra é que vai devagar.
 
Cecília Meireles

sábado, 22 de dezembro de 2012

Conversas directas, porem informais


Miradouro de Santa Iria
Oi…, nem sei por onde começar, tenho tanto para falar, tanto para dizer, e mais parece o contrário, por exemplo, por onde começo, pelo Natal (do que penso e sinto nesta altura do ano)?, por mim mesmo?, não sei, sinceramente não faço a menor ideia.
Por vezes fico pensando como cheguei aqui, e aqui significa aos 45 anos, qual foi este percurso que fiz, como foi que o fiz, se fiz o que queria, se faltou alguma coisa para fazer, se podia ter feito mais, ou menos, se devia ter falado mais sobre isto ou aquilo, ou menos, enfim, mas a verdade é que cheguei aqui, aos 45 anos de idade.
Outro dia pus-me à procura de uma foto em especial, era dia 8 de Dezembro e queria ver uma determinada foto, daquele dia, mas tirada à precisamente 45 anos, e lá encontrei, essa foto era e é uma recordação do dia em que fui baptizado, tinha cerca de 3 meses e estava ao colo da minha madrinha e ao lado dela estava a minha mãe além de mais alguns putos filhos da minha madrinha e outros que não sei quem seriam, e foi aí, nessa procura da foto que dei conta o quanto tempo passou, ou seja, já lá vão 45 anos, nossa…., tudo isso?, espero que mais venham, mas passou, e para onde foram, como foram passados, voaram?, foram vividos?, de que forma?
Estas perguntas por vezes saltam para a ribalta quando resolvo fazer um balanço da vida, balanço forçado, ou simplesmente para colocar as coisas nos seus devidos lugares novamente e seguir em frente, pois não sou nada de viver do passado (graças a Deus), passado é passado e quem vive de passado é museu, mas gosto de recordar de vez em quando algumas coisas vividas, é sempre bom saber que para trás ficou uma história que fui construindo conforme os anos foram passando, isso só quer dizer que não fiquei parado no tempo e no espaço, muito pelo contrário, talvez pudesse ter feito mais, mas concerteza ainda vou a tempo de faze-las, mesmo que para muitos possa parecer criancice algumas atitudes, algumas risadas, alguns disparates, alguns actos, mas a verdade é que se for bom para mim, se me fizer sentir bem, não me irei privar de as fazer, por isso fico feliz quando vejo que cheguei aos 45 anos e vivi, amei, chorei, desesperei, caí, levantei, dei graças e sigo em frente, pois a vida foi feita para ser vivida, amada, mesmo os menos bons momentos, pois é com eles que concerteza aprendemos, e quando não aprendemos, voltamos a cair para nos levantar-mos em seguida até aprendermos a lição e seguirmos para outras, por isso sim, estou feliz e satisfeito por aqui ter chegado mesmo sem dar pelo tempo passar, significa que não olhei o tempo, mas sim apreciei de alguma forma os momentos vividos até hoje.
Quanto à criança que fui, inocente, por vezes ingénua e cheia de sonhos, essa não “morreu”, apesar do tempo que foi passando e algumas cicatrizes que o tempo foi deixando, essa criança ainda vive em mim, e é ela que me faz continuar vivendo, amando, sonhando e querendo seguir em frente, é ela que me faz ver as belezas da vida quando o adulto em mim teima que o mundo é um lugar feio, é nessas alturas que a criança há em mim, saí mais cá para fora e me faz ver que as mais belas coisas da vida, não estão sempre nos maiores actos, mas sim, nas mais pequenas coisas que se deparam na minha vida do dia a dia. Tem dias que o adulto em mim quase ou mesmo desespera, mas sempre acaba sendo salvo pela criança que habita em mim e na fé que tenho em Deus que sempre me acompanha e por vezes é Ele que me carrega ao colo quando mais preciso.
Por tudo isso estou grato e assim continuarei a ser.
E quando me perguntam se tenho arrependimentos, sempre respondo que não, só se for por algo que ainda não tenha feito, mas ainda vou sempre a tempo de fazer, mesmo que possa ser algo que para os outros possa parecer uma loucura (por causa da idade), mas ser feliz não tem idade, por isso faço, vivo e amo, por isso estou aqui aos 45.
Quanto ao Natal, nossa, concerteza quem me conhece já sabe o que penso desta época, é uma época em que impera a hipocrisia, o cinismo, a falsa bondade, e não falo no consumismo desenfreado não, falo da forma como as pessoas vivem esta época, trocando valores de amizade, de sinceridade, de honestidade, por sentimentos de faz de conta, de bondades falsas, ora darei um exemplo simples, quando chega a esta época todos se lembram dos pobres, de quem menos tem, dando-lhes uma sopinha, um jantarzinho (claro que é bom fazer isso, e eles agradecem), mas e no resto do ano?, onde estão essas “boas e caridosas” pessoas?, eu digo-lhes, estão tripudiando, pisando, massacrando, chamando de vagabundos, que não querem é trabalhar, que não querem nada da vida, pois é, é aí que começa tudo, é aí que se revelam os verdadeiros sentimentos de seres “bondosos” da época natalícia, por isso não comemoro o Natal, esse Natal, comemoro o meu Natal, o Natal onde eu sei que sou sempre da mesma forma e da mesma maneira com tudo e todos 365 ou 366 dias do ano. Mas não quero prolongar-me muito com esta conversa sobre o que é esta época na realidade, acho que já é hora de cada um começar a ver com olhos de ver o que fazem e como se comportam todos uns com os outros nesses mesmos 300 e tal dias e fazer a comparação da falsa bondade a que tanto gostam de se associar.
Enfim, nada como ser-se verdadeiro, real, cru se assim querem chamar e dizer na cara de quem quer que seja o que pensa, mesmo que doa, mesmo que fira, eu por exemplo faço-o e recomendo sempre os meus verdadeiros amigos a serem comigo da mesma forma, prefiro que me doa na hora, a que eu venha a descobrir falsidades, prefiro sarar a ferida com a verdade e seguir em frente depois com um sorriso e por vezes com uma lágrima no canto do olho.
Mas não quero prolongar-me muito com mais esta conversa informal, pois nada mais chato do que escrever, ou ficar falando durante muito tempo, cansa muito, tanto para quem fala, mas principalmente para quem escuta.
Por isso, fico hoje por aqui.
Ahhhhhh, mas não posso deixar-me ser assim tão radical, por isso boas festas para todos na mesma, afinal ontem, hoje e amanhã serão sempre dias de Natal.
Beijinhos e xi – corações mil a todos que por aqui passam, deixando um pouco de si, levando um pouco de mim.


Álvaro Gonçalves

sábado, 8 de dezembro de 2012

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.


Vinicius de Moraes



Procura-se um amigo,
Um anjo,
Um ser com tantos defeitos e virtudes,
Alguém assim como tu e eu,
Alguém a quem se possa dizer estou aqui…
Alguém com quem se possa sorrir e chorar,
Ou apenas ficar em silencio,
Procura-se um amigo,
Alguém com quem partilhar
Alegrias, tristezas ou simplesmente banalidades
Procura-se um AMIGO,
Um ANJO!
PROCURA-SE ALGUÉM QUE SEJA AMIGO ASSIM COMO TU!


Álvaro Gonçalves

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